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CERÂMICA

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 TECELAGEM

Vilarejo de Ōgimi: O Lar da Tecelagem Bashō-Fu
 

De um povoado de carpinteiros ao lar da tecelagem bashō-fu

http://www.vill.ogimi.okinawa.jp/village_bashofu_po/
 

 Os tecidos de bashō-fu (“fibra de banana”) são amplamente categorizadas em dois tipos: as feitas com meadas previamente amaciadas e degomadas (uma técnica chamada nīgashī) e aquelas onde o tecido em si é degomado após a fiação, conforme feito em Kijōka.

 

O primeiro tipo foi utilizado durante o período dinástico japonês no vestuário dos descendentes da nobreza, enquanto o último tornou-se muito difundido por toda Okinawa em trajes de verão para pessoas comuns até o período pré-guerra.

Em Kijōka, a produção do bashō-fu parece datar de muito tempo atrás, mas não há registros escritos dela antes da exploração das ilhas do Sul (Nantō Tanken) por Gisuke Sasamori, um oficial do clã Hirosaki que visitou Okinawa em 1893. Uma anotação sobre o bashō-fu aparece ao lado das tecelagens kasuri, como produto nativo do distrito de Ōgimi: 561 tan (aprox. 6,06 m) de tecido azul-escuro e 249 tan de tecido branco são descritos. Entretanto, como a maior parte da produção de bashō-fu limitava-se ao uso pessoal, ela parece raramente ter sido exportada para fora do vilarejo.

Em 1895, uma mulher chamada Nabe Nakahara implementou uma estampa salpicada em um tecido bashō-fu, que tradicionalmente limitava-se a sólidos e listras. Em 1905, os avanços na tecnologia e a expansão da produção deram um novo rumo ao bashō-fu: os teares de pedal apareceram no vilarejo, e Masayoshi Taira, o avô de Yoshiko Taira, fez com que ela fizesse cursos de hana-ui (tecelagem flutuante) e rō-ui (tecelagem com tela).
 

As Lutas de Yoshiko Taira, um Tesouro Vivo da Nação Japonesa
 

Durante a guerra, Yoshiko, filha de Shinji Taira, trabalhou em Kurashiki na Prefeitura de Okayama como parte do corpo de mulheres voluntárias. Após o fim da guerra, ela permaneceu em Kurashiki e conseguiu um emprego na Usina Norte de Kurashiki Bōseki (hoje as Indústrias Kurabo). A pedido de Sōichiro Ōhara, presidente da companhia, ela e três outras pessoas de Kijōka tornaram-se aprendizes de Kichinosuke Tonomura, então diretor do Museu do Artesanato Popular de Kurashiki. Além de aprender os fundamentos da tecelagem e da tinturaria, Taira foi altamente influenciada pelo Movimento de Arte Popular de Sōetsu Yanagi e retornou a sua cidade natal no fim do ano de 1946.

De volta a Kijōka, Taira estava determinada a revitalizar a tecelagem bashō-fu. Ela apelou às viúvas da guerra para que assumissem a atividade, mas a indústria havia dado lugar à produção para fins militares, não havendo demanda para tecelagens tradicionais como o bashō-fu. Como isso tornou impossível transformar a atividade numa indústria viável, ela lutou durante anos.

 

Em 1951, em meio a essas adversidades, uma das peças de Taira recebeu o primeiro prêmio numa competição de artesanato organizada pela administração de Okinawa para promover a indústria local. Em 1954, na “Semana de Produtos da Amada Ilha,” ela novamente recebeu o prêmio principal. No mesmo ano, a exibição “Okiten” foi expandida para incluir uma categoria de artes artesanais, e Taira começou a exibir lá os seus trabalhos. Isso trouxe maior visibilidade à tradição de Kijōka, e o bashō-fu logo passou a ser reconhecido como uma amostra exemplar da arte popular.

 

Enquanto isso, Taira conseguiu grandes quantidades de material do vilarejo vizinho de Noha e contratou as habitantes locais de Kijōka como tecelãs, centralizando e simplificando a produção. Ao mesmo tempo, ela buscava ativamente o desenvolvimento de novos produtos, visando progressivamente transformar a produção de bashō-fu numa indústria de artesanato. Produtos de sucesso na época incluíam descansos e passadeiras de mesa e almofadas para compradores americanos, bem como almofadas japonesas de sentar (zabuton) e faixas de quimono obi para o Japão.

Os descansos de mesa em particular eram um produto inigualável, apresentando uma palha macia, outra especialidade de Kijōka, entrelaçada com os fios de fibra de banana. Esse produto era uma atração comum nas galerias de souvenir no entorno de Okinawa – no auge de sua popularidade, quase 100 tan eram tecidos por ano.

Rumo a uma tradição artesanal digna de orgulho para Okinawa
 

Em 1972, Okinawa foi reintegrada ao Japão. Esse ano também marcou a nomeação do bashō-fu como patrimônio cultural popular intangível, com Yoshiko Taira sendo reconhecida como a guardiã da tradição. Dois anos depois, a Sociedade da Preservação do Bashō-fu de Kijōka, com Taira no comando, foi nomeada um importante patrimônio cultural popular intangível, honraria ainda mais rara.

 

Uma vez que o bashō-fu passou a ser reconhecido como um dos carros-chefes das tradições artesanais de Okinawa, mais pedidos começaram a vir do Japão, e o preço gradualmente subiu. Em 1978, foram introduzidas normas para eliminar discrepâncias na qualidade de um item para outro, e um certificado de autenticidade passou a ser afixado a cada peça.

 

Ao mesmo tempo, conforme os artesãos passaram a envelhecer e os sucessores da tradição escassearam, o volume de bashō-fu produzido foi diminuindo a cada ano. Entretanto, a qualidade do tecido e o seu reconhecimento apenas subiam: em 1981, Taira e a Sociedade de Preservação do Bashō-fu receberam o primeiro Prêmio Pola de Cultura Tradicional da Fundação Pola para a Promoção da Cultura Tradicional Japonesa. Um documentário intitulado “As Mulheres Tecelãs de Bashō-fu” foi produzido para mostrar as suas tradições. Hoje, essas imagens podem ser vistas no Salão do Bashō-fu do Vilarejo de Ōgimi.

 

Em 1984, a fim de tornar o bashō-fu elegível para nomeação como um bem de artesanato tradicional pelo Ministério da Indústria e Comércio Internacional (hoje chamado METI), as mulheres fundaram a Associação Cooperativa do Tecido de Fibra de Banana de Kijōka. Dois anos depois, a finalização do Salão do Bashō-fu do Vilarejo de Ōgimi lhes permitiu começar a treinar futuros sucessores da atividade. O museu serve como local de produção do tecido e também, como um local para promover sua existência, com mais de 20.000 pessoas visitando o local a cada ano.

 

O uso da fibra de banana não se limita aos tecidos bashō-fu. A fibra da superfície há muito tempo tem sido usada na produção do papel de banana, que recentemente vive uma onda de utilização em buquês, marca-livros, artesanato em papel e outros. A palha externa da fibra, imprópria para fiação, é chamada de shīsāū e é parte essencial das máscaras de leão utilizadas na tradicional dança dos leões que acontece em toda Okinawa. A fibra é usada na criação dos fios de cabelo para adornar as cabeças de leão, sendo, portanto, comprada em grandes quantidades todos os anos. A planta também é queimada para produzir um carvão utilizado como verniz em peças de barro, entre outros usos. Deste modo, a humilde fibra de banana causou um efeito em cascata, passando a ser utilizada em inúmeras aplicações.

 

Atualmente, 250 tan de bashō-fu são produzidos por ano em Kijōka. Como o treinamento dos herdeiros do artesanato leva tempo e seus praticantes atuais estão crescendo, há muitas questões não resolvidas para a longevidade contínua do bashō-fu. Através da compreensão, do apoio e do encorajamento dos visitantes, visamos fazer do bashō-fu de Kijōka um valioso legado não apenas para o vilarejo de Ōgimi, mas uma arte popular tradicional que Okinawa possa mostrar ao mundo com orgulho.

Museu do Bashō-fu do Vilarejo de Ōgimi    (construído em 1986)

 fonte: http://www.vill.ogimi.okinawa.jp/village_bashofu/

O Museu do Bashō-fu do Vilarejo de Ōgimi foi construído em 1986, com a ajuda de Okinawa, como um meio de revitalizar a indústria do artesanato local. Hoje, a gestão do Museu está a cargo da Associação Cooperativa do Tecido de Fibra de Banana de Kijōka. Com ajuda das administrações local, da prefeitura e nacional, o lugar exibe os esforços de Ōgimi para treinar uma geração de futuros representantes comerciais da tecelagem de bashō-fu de Kijōka, nomeada um artesanato reconhecido pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) e um importante patrimônio cultural popular intangível pelo Ministério da Educação, Cultura, Esporte e Tecnologia (MEXT). O primeiro piso abriga um salão de exibição com uma instalação permanente de itens de bashō-fu, imagens em vídeo dos materiais sendo tecidos, e itens à venda. O segundo piso é onde os estagiários recebem o treinamento.
Por consideração aos estagiários no segundo andar, humildemente pedimos-lhe a gentileza de nos contatar antes de visitar, evitar fotografar e fazer ruídos durante sua visita.

Contato:

454 Kijōka, Ōgimi-son, Okinawa-ken, JAPAN 905-1303   Tel.: 0980-44-3033

O Museu foi fundado em 1998 exibe o poema intitulado “Bashō-fu” de autoria  Baku Yamanokuchi, 

poeta nascido em Okinawa.

Bashō-fu, por Baku Yamanokuchi

Era um dia de verão, dez anos inteiros
Desde que me mudara para a capital
Minha mãe, lá de casa,
Enviou-me um tecido de fibra de banana.
Ela tecera o bashō-fu à mão,
E eu me lembrei de sua silhueta sentada ao tear,
Recordei como ela dizia que o tempo quente
pedia por bashō-fu e nada mais,
e pensei na doce fragrância de Okinawa.
O tecido logo tornou-se um novo quimono para mim.
Logo vinte anos se passaram, e eu ainda estou para usá-lo uma única vez
Como não o perdi, no entanto,
Não chamaria isto de arrependimento.

Eu apenas não tenho o tempo
Pego-o no armário, apenas para
guardá-lo de volta.

Tecidos de Ryukyu, um tesouro cultural das ilhas do sul

O antigo reino de Ryukyu, atual província de Okinawa, tinha uma tradição de produção de tecidos artesanais que sobreviveu até os dias de hoje como uma preciosidade cultural. O interessante é que nas diferentes ilhas que formam a província nasceram vários tipos de tecido, entre eles, um bem curioso e raro feito com fibras de bananeira.

Para conhecer profundamente cada um desses tipos de tecido e suas técnicas de produção seria necessário visitar os principais ateliês nas regiões de origem. Ou então ir ao Ryukyu No Yakata, localizado na cidade de Itoman. Esse local reúne artesãs de todos os estilos e ainda oferece cursos rápidos a visitantes interessados em praticar técnicas tradicionais de tecelagem e de pintura.

 

Fonte:   http://curtindoojapao.com/relatos/log/eid28.html

Visita com guia

O Ryukyu No Yakata não pode ser comparado com os verdadeiros ateliês, onde podemos encontrar as grandes mestres tecelãs e ver as suas obras em peças prontas. Mas o local possibilita a qualquer pessoa conhecer todos os estilos de tecelagem ao mesmo tempo, e de maneira bem didática. Os detalhes de cada técnica são explicados por um guia que acompanha os visitantes.

Há também uma loja com variados produtos, de tecidos para fazer quimonos até versões modernas de roupas, acessórios e decorações feitas de panos que empregam as tradicionais técnicas de tecelagem.

Os cursos experimentais (taiken) são de dois tipos. Um deles utiliza a técnica do minsa para produzir um descanso para copo (¥ 600) ou um jogo americano para mesa (¥ 1.500). É fascinante ver como um tear é operado. Os pés trabalham nas pedaleiras para inverter o trançado, enquanto as mãos fazem passar as carretilhas com a linha que vai completar a trama ou também produzir a estampa.

A outra opção de taiken é o de pintura com a técnica do bingata katazome. O visitante escolhe entre fazer lenço, toalhinha de mesa e camiseta. O preço varia entre ¥ 800 e ¥ 2 mil. O tipo de desenho também pode ser escolhido entre alguns modelos.

Os Tipos de Tecidos

 

No Ryukyu No Yakata podemos conhecer cinco tipos diferentes de tecidos típicos de Okinawa: bashofu, minsa, bingata, hanaori e kasuri. Os três primeiros são considerados os mais originais da região.

O bashofu é bem típico de Okinawa até mesmo pela matéria-prima que utiliza, a fibra de um tipo de bananeira. A região de origem é o norte da ilha principal da província. Mais precisamente o bairro Kijyoka, da cidade de Oogimi.
Antigamente esse tipo de tecido era produzido em cada casa pelas mulheres e com o pano fazia-se quimonos para os membros da família usar no verão. O bashofu é bem poroso e tem um aspecto rústico que lembra o linho.

O minsa é da região de Yaeyama, um conjunto de ilhas cuja a principal é Ishigaki jima. O tecido é feito com fios grossos de algodão e empregado na confecção de obi (faixa para usar sobre o quimono). Hoje em dia, essa técnica típica também é empregada para se produzir acessórios, como bolsas, carteiras, toalhinhas de mesa e outros produtos com bela e sofisticada aparência.

 

O bingata é um estilo de pintura em tecido. Segundo estudiosos, surgiu no século 13 e foi muito utilizado em quimonos dos nobres do reino de Ryukyu. Por isso, em volta do castelo de Shuri existiam muitos ateliês.
A pintura tem dois tipos básicos. O katazome usa moldes com o desenho recortado. Após passar uma goma sobre ele fica impresso o contorno da estampa no pano. Depois de colorir o desenho, lava-se o tecido e a goma se dissolve.
A outra técnica é o tsutsugaki. Em vez do molde, a goma é introduzida em um tipo de bisnaga e o contorno do desenho é feito com ela.

 

Um tecido de bingata para quimono custa bem caro e não perde para os outros estilos de pinturas japonesas. As estampas sempre mostram temas relacionados com a cultura e a natureza de Okinawa, sendo muito comum ver plantas tropicais, peixes e aves com cores bem vivas.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo

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